Nasci em 1971, com uma quantidade insana de nomes - seis, para ser mais exacto: Nuno Frederico Correia da Silva Lobato Markl. Já fui jornalista sério, mas contrariado.

Em 1995 larguei isso e dediquei-me ao humor de forma profissional, trabalhando nas Produções Fictícias em programas como Herman Enciclopédia, Paraíso Filmes, O Programa da Maria ou Os Contemporâneos. Pelo meio criei O Homem Que Mordeu o Cão, na Rádio Comercial, e isso tornou-se um fenómeno tão avassaladoramente gigante, que ainda não sei bem como é que aquilo aconteceu. Sei que deu origem a um punhado de livros e que, só à conta das vendas do primeiro, comprei uma casa gira.

Deixei a Comercial para perseguir novas aventuras radiofónicas noutro lugar e conheci lá a minha musa Ana, com quem tenho um filho que é a criação mais extraordinária da minha vida - melhor ainda do que o sketch Pai Natal Vs Menino Jesus, do Herman Enciclopédia!

Regressei à Comercial para fazer A Caderneta de Cromos, a rubrica que me faltava fazer e que eu gostaria que alguém tivesse feito antes para eu ouvir, mas como ninguém fez, faço-a eu. Estreei-me no cinema como actor (!) em A Bela e o Paparazzo, do grande António-Pedro Vasconcelos. Deve estar para aí em DVD. Vejam, que é um filme de amor. E o amor é bonito.

O questionário da Praxe!

Se não fizesse rádio, trabalhava em...

Trabalhava só na escrita de humor, mas eventualmente acabaria por definhar. Fazer rádio, para mim, é mais do que ter um emprego. É ser um bonsai e regar-me a mim próprio. O que é uma imagem muito ridícula, agora que penso nisso.

Uma música que canto, mas só quando não está ninguém por perto:

Há todo um sortido de clássicos perenes de rock FM que canto quando ninguém está por perto. Nomeadamente, coisas dos Whitesnake, dos Boston e dos Journey. Sinto-me sexy, sobretudo se as cantar todo nu.

A melhor praia do mundo é...

Eu não era o maior adepto de praia até me ter mudado para a linha de Cascais. Há ali uma série de praias que me fazem sentir de férias, mesmo em dias de semana em que tenho stress a esguichar-me das orelhas. O que é uma imagem ainda mais ridícula que a do bonsai, agora que penso nisso.

O melhor petisco que me podem dar é...

Há um empate entre as amêijoas à Bolhão Pato e as gambas ao alhinho. No Eduardo das Conquilhas, evidentemente.

O meu destino de férias de sonho é...

Já realizei alguns sonhos desses, mas falta-me explorar a Austrália.

O que me faz perder a cabeça (além de questionários como este) é...

Pessoas a pagar milhões de contas no Multibanco em lugares como estações, em que, por definição, todos temos pressa.

Se eu tenho algum jeito para algum desporto? Deixa ver...

Eu sou um ás do ténis, do ski aquático e do boxe. Na Wii. Na vida real, costumava correr, mas desde que descobri que na Wii há um simulador de jogging em que a pessoa pode correr sem sair do mesmo sítio, tendo a preferir.

Eu confesso! A maior barraca que já dei no ar foi...

Foi na minha primeira madrugada a solo na extinta Correio da Manhã Rádio. Eu ia assegurar os noticiários da noite assim que o Rui Vargas terminasse o programa dele. O Rui terminou o programa, eu fiquei sozinho no estúdio e, de repente, tive uma branca. Esqueci-me de tudo - TUDO! - o que me tinham explicado sobre o funcionamento da mesa. Silêncio na emissão. Eu sem ponta de saliva na boca, gelado. Felizmente o Rui Vargas ouviu a branca e voltou a correr. Quando ele entra no estúdio, estou eu de microfone aberto em estado de choque. A única coisa que me saiu da boca foi um trémulo "E AGORA?". Que foi para o ar. No dia seguinte, as pessoas da Rádio Nova, do Porto, que funcionava em cadeia com o CMR, ligaram para a direcção da rádio a dizer "aquele puto novo que faz as notícias de noite não é mau de todo, mas o que foi aquilo do E AGORA?".

Adoro trabalhar aqui porque...

Porque a Rádio Comercial faz parte da minha vida, da minha formação, muito antes de eu sequer imaginar que lá ia trabalhar. Foi a rádio do Pão Com Manteiga. Do Rebeubeu Pardais ao Ninho. Das Noites Longas do FM Estéreo. Do Rock em Stock. Dos programas do saudoso António Sérgio, que nunca imaginei que iria conhecer um dia e partilhar com ele o mesmo espaço de trabalho. E porque foi a rádio onde amadureci radiofonicamente, onde tive o primeiro grande sucesso da minha vida - O Homem Que Mordeu o Cão - e que é uma rádio que hoje continua a dar-me liberdade para criar, com uma equipa que me faz ter prazer em acordar cedo.

A música da minha vida é...

(Nothing But) Flowers, dos Talking Heads, fusão perfeita de inteligência, humor, sensibilidade pop, euforia. É uma canção ácida, mas que me deixa feliz quando a ouço.